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ATRÁS DE UM NOME

Hoje falo-vos sobre mim.
Quem sou, do que gosto, o que me define e o que se manifesta e expande naquela que é a minha expressão artística.

Escolhi assinar como A PAJARITA, uma palavra espanhola com múltiplos significados – pode ser uma flor, um origami ou uma aldeia -, em homenagem ao país que me acolheu durante vários anos e me proporcionou oportunidades ímpares.
Atrás deste nome, existe um cérebro, um par de mãos, um coração e uma alma. A soma de tudo sou eu, Alexandra.

 

 

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QUEM SOU
Posso ser apenas uma rapariga, mas sinto-me uma casa austera de granito, sólida e dedicada, com um interior quente e aconchegante.
Odeio o mais ou menos.
Sou exigente e intransigente comigo própria, mas também tímida e dedicada. Dou até que me exijam, confio até que me desapontem. Nunca trato ninguém por tu, e só o farei quando o meu interlocutor me der liberdade para tal.
Gosto de agradecer. Acredito que se recebe o que se dá e faz. Sou mais de metas do que de sonhos.
Gosto de filmes de terror e de música rock, de objectos com história, de abraços, de frutos vermelhos e do Oriente, de papéis e de gravuras, e o coala é o meu animal favorito.

Sou apaixonada pelas Artes. Nunca contemplo o todo, gosto mais de me fixar nos pormenores.
Artista (acredito que sou) por vocação e por formação, nunca soube brincar, porque o desenho foi minha infância, tão bem amada e sentida.
Sempre fui mais feliz na batalha do que na vitória. Afinal, ser artista é um estado de alma, um caminho para alcançar o belo e não uma designação atribuída de forma automática.
Luto, sem medos, pelo que acredito e a liberdade é o meu bem mais precioso.
Sou da cidade, habituada a ver o mar a perder-se no azul, na maresia e na imensidão do horizonte.

 

 

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DE ONDE VIM
Nasci em Vila do Conde e fui a primeira de duas filhas, educada para ser independente e segura de mim. Os meus pais deram-me aquilo que não tiveram: asas para voar e oportunidades que agarrei. Tive uma infância e adolescência felizes, viajadas e cheias de amor e amigos.
Voei do ninho para ir estudar Artes Plásticas nas Caldas da Rainha e, para crescer, fui para mais longe, decisão que tomei antes de entrar para a faculdade, ao ouvir Miguel Vieira afirmar “prefiro ser aplaudido por desconhecidos do que pela minha família.“
De mala feita, parto para Espanha para fazer dois mestrados e acabei a dar aulas, a trabalhar como artista plástica e viajar pelo mundo. Durante mais de cinco anos, sem pouso longo nem certo, para onde a Xilogravura me quisesse levar.
E levou-me a muito países, incluindo à tão desejada China.
Por fim senti o sonho realizado, a saudade a brotar pelos poros, e a ausência dos abraços mais apertados.
Regressei a Portugal, com o sentimento de dever comprido, objectivo alcançado. Não me permitindo ficar prisioneira do “mundo da arte”, começo a dar aulas e a criar peças personalizados num atelier: foi aí que me cruzei com uma noiva para quem criei os detalhes idealizados, mas até aqui não encontrados.
Esta experiência foi catalisadora para o que faço hoje. A alegria manifestada foi contagiante e o processo, estimulante. Como gosto de desafios e de fazer coisas sempre diferentes (a monotonia desconcerta-me!), toda esta ideia foi amadurecendo e ganhando forma e asas. Assim “nasceu” A PAJARITA.

 

 

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O QUE ME MOVE
O detalhe, primeiro que o todo, a cor, primeiro que a forma, a expressão, no lugar da representação.
A liberdade de fazer e o processo criativo, como nasce na minha cabeça e o expresso pelas minhas mãos.
As majestosas mangas num vestido bem cortado, a irreverência de Alexander McQueen e a elegância da Dior.
O modo como Helena Almeida habita a casa. O trauma revisitado por Louise Bourgeois e a profundidade do energizante azul Yves Klein.
O cheiro a maresia e o cheiro a terra, o som do mar a bater nas rochas nos dias de temporal, a energia vibrante das pessoas num concerto.
O sorriso genuíno dos meus afilhados. A filosofia de vida dos meus pais.
Todas estas coisas na sua soma, e todas elas pela sua singularidade.

 

Gosto de viver a vida segundo as palavras de Sebastião da Gama:
“Pelo sonho é que vamos
comovidos e mudos.
Chegamos?
Haja ou não haja fruto,
pelo sonho é que vamos.”

 

Imperfeita, genuína e desprovida de qualquer artifício, nasci a 25 de Abril e sou como quero ser.
O meu nome é Alexandra e sou artista.

 

 

Um texto escrito com a imprescindível ajuda de Susana Esteves Pinto.

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