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CASAMENTO OU EDITORIAL: REALIDADE E FICÇÃO

Hoje quero falar-vos de dois mundos muito distintos, um casamento e um editorial criativo, que parecem por vezes flutuar numa mesma nuvem de confusão.

Quando estamos a preparar o nosso dia mais bonito, procuramos inspiração nas várias plataformas digitais existentes: directórios, sites de referência, redes sociais ou perfis dos fornecedores. Na nossa pesquisa, vamos deparar-nos com múltiplas fotografias bonitas, umas mais singelas e competentes, e outras fascinantes e ambiciosas, com luxuosas escolhas e combinações.

Neste lote de imagens combinam-se duas categorias distintas, muitas vezes sem um separador intencional e claro: as que resultaram das escolhas reais dos noivos, e as que resultaram de editoriais criativos.

É fundamental saber interpretar e identificar as diferenças e chamar as coisas por aquilo que são: realidade e um exercício estilístico sem constrangimentos. É no equilíbrio entre estes dois mundos, entre a exuberância criativa e prazerosa, sem dono, e os constrangimentos e disponibilidades reais, que nasce o mais bonito dos resultados, porque sem asas não voávamos, mas sem pés bem assentes não conseguiríamos caminhar.

 

convite de casamento pintado à mão

 

Porque não queremos viver o dia de outro casal, mas sim o que seja só nosso, que reflicta quem somos, as múltiplas imagens que vamos encontrando apenas devem servir para ilustrar tons, um conceito ou mesmo materiais de que gostamos. Ajudam-nos a organizar as ideias que temos na cabeça e a verbalizá-las para fora, quando nos faltam as palavras mais claras.

Não há ganho em ficarem presos a uma pesquisa, já que ela pode não se adequar ao que vocês são ou ao montante que destinaram para o dia mais bonito.

Para nós que procuramos inspiração, guardar imagens que traduzam o nosso gosto é instintivo. Ao fazê-lo não reflectimos se se enquadram no nosso orçamento ou se foram criadas para a escala de um casamento.

Aconselho sempre a que façam uma segunda selecção mais apertada e reflectida, a partir da selecção inicial, que seja mais depurada, mais consciente e destinada ao que estamos a planear e em sintonia com o que podem pagar.

Pode parecer evidente, mas nem sempre o é.

 

Quando vemos fotografias de casamentos reais, encontramos soluções que foram adoptadas por diferentes casais, segundo os seus gostos, conceitos e disponibilidade financeira. São dias desenhados à medida, onde os múltiplos são uma realidade e o orçamento tem limite, tal como o tempo para a sua execução. As fotos podem ser mais simples ou mais elaboradas, tudo depende do profissional que as faz, dos elementos que tem à sua disposição, mas também de muitas outras circunstâncias.

 

O mesmo não acontece quando pesquisamos editoriais: neste contexto reúne-se o melhor que cada fornecedor tem para dar, sem limites de orçamento ou restrições temáticas, onde a imaginação pode voar o quão alto conseguir.

Tudo é pensado e realizado com calma, o papel de noiva é assegurado por uma manequim com experiência na pose, as flores são exuberantes e em abundância, qualquer detalhe tem sempre a melhor das companhias, e os acessórios e os espaços idílicos foram todos escolhidos a dedo e pensados para funcionar na perfeição.

 

Em ambos os casos, apenas vemos o registo destes dias, não os chegamos a presenciar ou vivenciar. Se não os tomarmos como diferentes, muitos desamores iremos ter.

 

estacionário de casamento por A Pajarita

 

O tempo é algo que muitas vezes não conseguimos medir e ver reflectido.

Num editorial não há um tempo contado para cada tarefa, podemos fotografar o estacionário com toda a calma e de diferentes ângulos e combinações, experimentando as soluções que quisermos, com espaço até para as descobertas acidentais e felizes.

No entanto, num casamento, esse tempo é limitado e cheio de constrangimentos, e tem de ser muito bem usado. E se quiserem um registo cuidado e intencional dos muitos detalhes menos óbvios, como o estacionário, não deixem de conversar com o vosso fotógrafo, de modo a que tudo isto seja planeado e tido em conta com antecedência.

Aquela fotografia tão bonita que viram na vossa pesquisa, em que o estacionário está rodeado de flores ou de detalhes bonitos, só vai acontecer se prepararem um exemplar de cada elemento do estacionário, se tiverem algumas flores ou mesmos detalhes para criar essas imagens memoráveis e, claro, se tiverem tido esta conversa e acordo com o vosso fotógrafo!

 

O dia do casamento passa demasiado rápido, e eu que o diga que bem o senti na pele!

Se não planearmos bem o que queremos com os profissionais que escolhemos para fazer parte do nosso dia, o mais certo é o resultado ficar aquém da expectativa!

 

Um editorial é um exercício de estilo e um casamento é um serviço de grande responsabilidade. São distintos na sua forma e função.

Saber a origem das fotografias, se resultaram de um casamento ou de uma sessão de inspiração é, por isso, muito importante.

 

Um fornecedor que faz muitos casamentos terá sempre muito mais experiência a gerir os nervos adicionais e os imprevistos naturais e ocasionais que acontecem num dia em que nada pode falhar, e tem a destreza para resolver qualquer problema que possa surgir.

Num editorial não é preciso fazer múltiplas peças, gerir tempo com pressão, nervos e equipas grandes ou clientes desafiantes (ou os seus familiares!). Há muito espaço para corrigir e improvisar, com vista à fotografia perfeita, que é o objectivo único desta acção.

 

estacionário de casamento pintado à mão

 

Ora, na minha opinião, o talento criativo não substitui a experiência no terreno, e esta é a peça fundamental para o sucesso do grande dia.

Um editorial criativo é uma excelente – e até necessária – oportunidade para testar novas ideias e conceitos, experimentar combinações improváveis e criar todo o tipo de peças, sem limite de briefing. Permite-nos voar, esticar o horizonte, ampliar o que sabemos e crescermos. É um desafio e alimenta-nos a imaginação, o que é essencial para um criativo. E é uma forma, também, de comunicarmos aquilo que gostamos de fazer e como o gostamos de fazer, a nossa visão do mundo e a nossa assinatura profissional.

 

No entanto, é imprescindível ter a noção das diferenças: um exercício de estilo para dois num cenário totalmente controlado não é simplesmente escalável para a realidade e importância de um casamento de 100 pessoas, com um orçamento fechado, equipas de dezenas de pessoas, entre decoração do ambiente, decoração floral, serviço de catering, regras do espaço, e demais especificidades e personalidades de cada fornecedor envolvido. A própria dimensão do investimento feito deverá ser travão suficiente para as ideias menos apropriadas.

 

Um editorial criativo pode ser o início de uma bela conversa, mas na hora da vossa ponderação, das vossas escolhas e preparativos, a decisão deverá assentar no portefólio real executado pelo fornecedor – e isso, são os casamentos bonitos de cada par de noivos que lhe passou pelas mãos e coração!

 

 

Um texto escrito com a imprescindível ajuda de Susana Esteves Pinto e fotografias dos Passionate // Wedding Photography

 

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