Hoje venho falar-vos de uma experiência que vivi este ano.
Era Fevereiro e, pela segunda vez, participei numa mostra de fornecedores de casamento.
A primeira vez aconteceu nas Caves Ferreira, corria 2018, e o evento foi organizado pelo Simplesmente Branco.
Este dia revelou-se uma experiência incrivelmente enriquecedora, que me despertou o interesse em participar em encontros de fornecedores com um sentido de comunidade, onde todos seguissem o mesmo conceito e partilhassem o seu trabalho com seriedade, empenho e dedicação.
As habituais feiras nunca me despertaram interesse, talvez pela sua massividade, talvez pelo seu conceito.
No entanto, após esta primeira e gratificante experiência, decidi aceitar o próximo convite e participar no The W Experience – Showcase of Unique and Creative Weddings, um showcase pensado para quem o ia visitar, sem a massividade de uma feira habitual e sem intuito primário de venda. Tinha sim um objectivo claro: mostrar o que de melhor que criamos e produzimos para o mercado de casamento em Portugal.
Com um guia técnico bastante preciso, a organização propôs uma paleta assente no amarelo torrado mostarda, à qual foram feitas sugestões adicionais, combinando com os tons de vinho, nude e marfim.
Com esta paleta bem definida e tão interessante, era agora a minha vez de pôr mãos à obra. Na minha cabeça fervilhavam ideias, algumas mais difíceis de executar num intervalo tão curto de montagem, que seria a manhã, já no Lx Factory, em Lisboa, no dia da abertura.
Focando-me no ADN d’a pajarita , decidi reunir os bonitos papéis com que trabalho, as técnicas em que me expresso e um conceito lato, baseado numa história imaginada de um casal que conheci e que me escolheu para planear o seu dia mais bonito.
A história
O conceito para as peças que criei para apresentar o meu trabalho ao público, parte da história de um casal que se conheceu entre vinhas, em pleno outono, quando o cheiro a terra e as cores quentes emolduram memórias e deslizam pelas margens do Douro.
Para celebrar o seu Amor, reabilitaram uma pequena casinha que assentava na margem desse inigualável rio. Amantes de Arte, os seus gostos deambulam entre o figurativo romântico e o abstrato expressivo, e os quadros são habitantes permanentes das pequenas e românticas paredes daquela acolhedora casa.
Aqui decidiram celebrar o amor que já há muito sabiam estar a viver, juntaram a família e, no pátio daquela tão bela casinha, juraram amor eterno e brindaram com o fruto das vinhas que viram o seu amor enraizar-se como uma robusta e sólida videira.
Com uma bonita história de amor a pairar ao fundo, do coração à mão, o estacionário foi nascendo, entre manchas de aguarela como margens banhadas por essas douradas águas do pôr-do-sol num dia de outono, e motivos florais que homenageiam as bonitas almofadas da avó que descansam sobre os sofás, impregnadas de ternura e saudade.
Conjugando diferentes papéis de algodão feitos à mão, a aguarela, a xilogravura e a impressão fine art materializaram o desejo de retratar este casal que vive uma história cheia de texturas e cores intensas, tal como a paisagem onde é ainda hoje vivida.
Para a história ficar completa, faltavam as flores.
Estas tinha nos remeter para o outono, nas cores e no toque seco da terra que anseia a água que a estação promete. As flores desidratadas habitaram o meu imaginário e materializaram-se no ramo da noiva e nos outros pequenos detalhes indispensáveis para viver este dia em plenitude.
E foi assim que a minha proposta nasceu e se materializou.
Para quem não pôde visitar-me nestes dias de Fevereiro e ver de perto o meu trabalho, deixo-vos estas imagens.
Este texto, como habitualmente, foi escrito com a ajuda da imprescindível Susana Esteves Pinto.