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FORMAS DE EXPRESSÃO

Hoje quero falar-vos sobre as minhas técnicas artísticas preferidas quando estou a criar os vossos estacionários de casamento.

Ao conhecê-las com mais detalhe, irão perceberão o meu amor pelo papel e o porquê de muitas das minhas escolhas tão específicas quando falo de matérias-primas.

 

A xilogravura

Já escrevi sobre da expressão da minha alma, a xilogravura, dedicando a esta técnica milenar e cheia de encanto um artigo inteiro.  Recomendo a sua leitura para que, também vocês, se sintam envolvidos e apaixonados pela magia deste processo artístico e rigoroso.

Sendo uma técnica muito específica, trabalhosa e pouco conhecida, não é o trabalho que mais me pedem. Porém, o meu objetivo como artista plástica e sob a assinatura A Pajarita, sempre foi – e será – mostrar o meu pequeno “mundo” ao “mundo”, expresso através desta técnica incrível, que não pode desaparecer.

 

Vamos conhecer as outras técnicas?

 

O desenho

O desenho pode ser o início de um processo criativo – um instrumento básico para se chegar à obra final -, ou ser, ele mesmo, uma disciplina própria, uma obra final.

Desde tenra idade, o desenho é uma forma de expressão muito natural, e onde uns verão rabiscos, outros trepidam de emoção!

Para mim, o desenho é a linha que une o pensamento ao coração, aquilo que alimenta e dá forma a uma ideia. O desenho tem um sem fim de opções e expressões, pode proporcionar o registo do essencial através de um simples contorno ou algo mais complexo e dramático como a luz, através de uma trama de linhas que define o claro-escuro.

O modo como desenhamos diz muito sobre nós, sobre a nossa personalidade.

Há quem diga que não sabe desenhar, e, para mim, essa afirmação é um mito. Todos sabemos desenhar, fazemo-lo, sem medos, desde pequeninos.

O que acontece a seguir, à medida que crescemos, é que colocamos travões a nós próprios, perdemos a espontaneidade feliz da infância e passamos a afirmar “ah, eu não tenho jeito nenhum para o desenho”.

Mas nem isso chega a ser realmente verdade, porque todos desenhamos. O que acontece é que resultado pode não ser aquilo que vemos ou suficientemente realista – que miticamente deverá de ser -, mas isso é uma discussão muito distinta da incapacidade de desenhar. Aqui temos simplesmente uma falta de treino, como em tantas outras coisas da nossa vida!

Querem um exemplo perfeito disto que vos digo? Picasso

Pablo Picasso, um dos grandes artistas do século XX, demonstrou desde muito jovem um incrível talento e olho para captar a realidade tal como ela é (procurem o seu trabalho inicial e vão encontrar desenhos realistas, cheios de detalhe e vida). No entanto, passou a sua vida artística caminhando na direção oposta, explorando a expressão e a desconstrução das linhas, sujeitos e temas.

Espero que este vídeo vos inspire e deixe com vontade de pegar num lápis e papel!

 

 

A aguarela

A aguarela é uma técnica de pintura onde os pigmentos estão dissolvidos em água, esse protagonista de difícil manuseio. Esta técnica obriga a subtileza e cuidado na execução, sendo que a intensidade, a transparência das cores e as suas sobreposições e junções – as possibilidades cromáticas – dependem da sensibilidade adquirida para o manuseamento da água.

Os suportes mais aconselhados são papéis de qualidade, sempre com boa elasticidade e uma gramagem alta para evitar a sua deformação.

A aguarela pode partir de um desenho ou, para os mais hábeis, começar diretamente a partir da ideia. A não ser que seja uma intenção, ao optarem por um desenho estrutural que irão cobrir com aguarela, ponham de lado o tradicional lápis de carvão e substituam-no por um lápis aguarelável no tom de amarelo limão. A linha escura não fica coberta pela transparência da aguarela e as partículas do carvão irão deixar um rasto.

Ao longo da história das artes o amarelo limão foi uma cor muito usada para o esboço inicial da pintura, por ser uma cor luminosa e por interferir muito pouco nas outras cores, com o seu pigmento leve e muito subtil.

A prática é a vossa melhor amiga, dêem prioridade aos papéis de aguarela de boa qualidade e divirtam-se, sem constrangimentos ou juízos de valor!

 

 

A folha de ouro

As finas e esvoaçantes folhas de ouro – ou de outro metal como prata ou cobre -, são tradicionalmente empregues na decoração de objetos nas disciplinas de escultura, pintura, arquitetura, ourivesaria e até gastronomia!

Ao longo da história, a aplicação da folha de ouro foi sinónimo de requinte e riqueza, atributos que hoje trazemos para o estacionário de casamento.

As folhas de ouro são comercializadas em pacotes ou cadernos com 25 lâminas de 0,001 mm (um milésimo de milímetro ou um mícron), no formato quadrado com 9cm, intercaladas por folhas de papel de seda. Há pacotes ou cadernos de diferentes quilates.

No entanto, hoje existe folha de ouro falsa, com uma aparência semelhante, e menos frágil no seu manuseamento (um dos maiores desafios do ouro verdadeiro, que parece respirar e mexer-se como uma criatura mítica!). Mais recentemente surgiram no mercado outros sucedâneos, ótimas imitações, mas de menor qualidade, vendidas em forma de lascas e aos pedaços, em vez de folhas.

A aplicação de um bom material deve ser feita num local sem correntes de ar, numa área de trabalho limpa e desocupada, e com os dedos, com delicados toques, retirando o excesso com um pincel de pêlo delicado e flexível.   Não se esqueçam de que estamos a falar de ouro e, por isso, todas as pequenas partículas que vão sobrando devem ser recolhidas e usadas novamente!

Espero que este video vos inspire a combinar a folha de ouro com outra técnica, elevando as duas de forma muito expressiva.

 

 

 

Entusiasmados e curiosos? Essa é a melhor combinação!

Com estas palavras e imagens partilhei convosco a emoção que estas técnicas artísticas me provocam, espero que se sintam tentados a experimentar também e desfrutar desta alegria leve e genial.

 

 

Formas de expressão, um texto texto escrito a quatro mãos, com a imprescindível Susana Esteves Pinto.

Videos: Vanessa & Ivo

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