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O QUE É, PARA QUE SERVE E COMO O FAZEMOS?

 

Nas cerimónias de casamento religiosas, é comum encontrarmos uns livrinhos pousados em cima dos bancos: uns são mais fininhos, com 3 ou 4 páginas, outros são mais generosos e detalhados, e contém o alinhamento da cerimónia e as Leituras, permitindo que todos acompanhemos, passo a passo e de forma colectiva, o desenrolar da cerimónia.

Diz-me a experiência que o missal, ou guia da celebração do matrimónio, é a peça do estacionário de casamento que mais questões e dúvidas vos coloca: que texto deve conter, de que forma deve ser colocado, que estrutura deve seguir, que leituras podem escolher e até que ponto o podem personalizar?

Para criar o vosso missal, que querem à vossa imagem e alinhado com a visão global que têm para o vosso dia, vamos perceber primeiro os cenários e opções que existem, para, a seguir e dentro desse enquadramento, fazer as escolhas certas.

 

o-missal-por-A-Pajarita

 

A Cerimónia

O primeiro factor que define o missal é o tipo de cerimónia que vão escolher.

Ao contrário do que se possa pensar, não existem missas curtas ou longas.

A celebração de um casamento religioso é composta pelo Sacramento do Matrimónio simples ou pelo Sacramento do Matrimónio com missa. Embora muitos casais receiem que a cerimónia fique demasiado longa com a inclusão da missa, o que separa estas duas opções é um acréscimo de dez ou quinze minutos, o que é pouco relevante para ser o factor de decisão sobre um ou outro formato.

Vamos aos detalhes: o Sacramento do Matrimónio é um ritual com uma estrutura fixa, ao qual acrescentamos, se quisermos, a celebração da missa. As Leituras, no momento da Liturgia da Palavra, serão a sua base, e o formato será algo assim, acrescido, então, da missa:

– Primeira Leitura do Antigo Testamento + Salmo (cantado ou não) + Segunda Leitura do Novo Testamento + Evangelho;

– Primeira Leitura do Antigo ou do Novo Testamento + Salmo (cantado ou não) + Evangelho.

 

As Leituras

O conjunto das Leituras apropriadas está também pré-definido, mas contempla alguma margem de escolha. Este arquivo é disponibilizado pela Igreja, em formato digital, e recomendamos que o consultem com vagar e escolham os textos com que mais se identificam.

 

 

A personalização da cerimónia

Tendo em conta que o Sacramento do Matrimónio tem uma estrutura fixa e as Leituras são escolhidas num leque limitado de opções, surge agora a grande questão: então, como podem personalizar a vossa cerimónia?

Numa primeira impressão, tudo isto parece estanque e excessivamente rígido e impessoal, mas a verdade é que existe esse espaço para a personalização.

Na estrutura do missal, podemos incluir um texto leigo (não religioso). Esse texto pode ser um poema, citação, excerto ou, até, um texto vosso.

Esta adição pessoal pode ser introduzida em três momentos da cerimónia: no início da celebração, na Acção de Graças ou personalizar a Oração dos Fiéis.

Faço esta recomendação importante: seja na personalização ou na escolha das leituras, podem e devem conversar com o Padre que vai oficiar a vossa cerimonia. O conteúdo do missal deve resultar do diálogo entre as partes.

 

Duração da cerimónia

É importante que reservem 1h30 para a celebração, não queremos pressas nem tensões desnecessárias ou desconfortáveis, é importante que tudo flua com naturalidade, na sua cadência e devido tempo.

Se a tradição sugere que a noiva chegue depois de todos, 10 minutos é o tempo aceitável para todos estarem acomodados no interior, o noivo ter respirado fundo, a noiva ter saído do carro, ajeitado o véu, segurado no bouquet, dado o braço ao seu querido pai, os dois terem sossegado os nervos e acertado o passo.

Mais do que estes dez minutos da praxe vão deixar os convidados irrequietos (sobretudo os mais pequenos), e vão apressar a vossa cerimónia (para evitar atrasar a missa ou cerimónia seguintes). Se dedicaram tanto cuidado a planear os conteúdos do vosso missal, imaginando cada passo, cada Leitura, cada canção, devem viver o momento de igual forma, sem pressa ou pressões adicionais.

 

O design

As escolhas estão feitas e acordadas com o Padre que celebrará o vosso casamento, todos os conteúdos escritos estão definidos (Leituras, textos pessoais, canções).

Vamos passar agora à criação do objecto, vamos dar forma física ao vosso missal.

Usamos esta estrutura como base para a paginação do texto, e mantemos a linha gráfica do vosso estacionário, que começou no convite de casamento ou save the date.

E também aqui há muita margem criativa: podem escolher vários tipos de capa (gramagens, texturas de papel diferentes, cores, materiais), vários tipos de ilustração (personalizada, da igreja, o vosso monograma, o motivo usado no convite),  vários tipos de encadernação (agrafado, com fita, colado) e até vários formatos, mais ou menos criativos.

Podem escolher uma versão mais curta, com menos páginas (só com a indicação dos momentos, Leituras e Salmos, como se fossem os tópicos da cerimónia) ou mais longa (incluindo os textos e letras de canções em detalhe). Em termos de quantidades, é razoável considerar um missal por cada dois convidados, sem esquecer um exemplar para vocês e outro para o Padre.

Se decidirem fazer o vosso missal de forma totalmente autónoma, sem recorrer a ajuda profissional, deixo aqui um conselho de especialista: tenham atenção ao tipo e tamanho de letra escolhido: os mais velhos já terão alguma falta de vista, por isso tenham uma entrelinha de 1,5, corpo de texto entre os 12 e 13 pontos e uma fonte com boa leitura.

 

missal

 

Onde e como distribuir os missais

Chegou o dia tão aguardado e as vossas manhãs são reservadas para os vossos preparativos pessoais.

Estas tarefas logísticas devem ser sempre entregues a terceiros, para que nada fique esquecido no turbilhão de emoções e solicitações. Combinem previamente com o vosso fornecedor, wedding planner, coordenador do dia, padrinhos ou amigos, a responsabilidade desta tarefa. Dêem as vossas instruções: quantos missais são, onde devem ser colocados (em que pontos de passagem dos convidados), e, se for o caso, quantos devem ser colocados em cada banco da igreja e onde devem ser colocados o exemplar dos noivos e o exemplar do Padre.

Tudo estará pronto para uma cerimónia muito emotiva e memorável, todos juntos, unidos pelas palavras, pela música e por vós.

 

Termino apresentando-vos a Sofia Neves, que me pôs em contacto com o Padre Paulo Duarte.

A Sofia está frente da Treze – artigos religiosos. Pratica a sua fé de forma viva e leve, e expandiu o negócio da família para esta linha moderna e feliz, cheia de cor e alegria. Se a fé católica é algo que vos é caro, façam-lhe uma visita.

 

Despeço-me agradecendo ao Padre Paulo Duarte a gentil ajuda no esclarecimento destas dúvidas e pela indicação da estrutura e leituras disponíveis, deixando-vos, a vós, noivos que viram o vosso sonho ser adiado devido ao momento atípico em que vivemos, palavras de conforto:

“Estes tempos novos vieram alterar os planos. Se, por um lado, surgem sensações de tristeza e incómodo, por outro, podem ser vistos como uma oportunidade para aprofundar, de forma ainda mais sentida, o dia que marca a vida em casal. Os abraços, o sim, a entrega, a festa serão ainda mais cheios de agradecimento. E o amor, ah, o amor que tanto nos deve envolver, será vivido com a luz que foi capaz de atravessar tempos sombrios, tornando-se um farol ainda mais forte no caminho a dois.”

 

Texto escrito com a imprescindível ajuda de Susana Esteves Pinto.

 

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