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O VALOR DE UNS CONVITES DE AUTOR

Hoje quero conversar convosco sobre um assunto que pode parecer delicado, mas que deve ser encarado com leveza, transparência e seriedade.

Falo do custo – ou valor – dos convites de autor.

Quando procuramos algo que nos agrade, o orçamento pode ser limitador da escolha disponível ou impulsionador de novas ideias, depende um pouco do ponto de vista e também na vossa disponibilidade financeira real.
No momento de escolher materiais e técnicas, os convites de autor são os mais difíceis de orçamentar e, por vezes, de valorizar. A razão mais frequente é a falta de informação disponível para cada parte, quem os faz, que não tem claro o que é pretendido, e quem os encomenda, que não domina a especificidade do trabalho criativo e custos de tempo e matéria-prima.

Como é a conversar que nos entendemos, resolvi abordar este assunto com mais profundidade.

 

Todos os detalhes contam

Quando se pede um orçamento para um estacionário de autor, seja um convite pintado individualmente ou um convite em xilogravura, é fundamental saber mais do que a quantidade de convites necessários.
A complexidade e a dimensão da imagem a criar são dois fatores com grande variação no preço final. As horas necessárias para criar uma imagem simples, não são as mesmas que são necessárias para uma imagem mais complexa ou cheia de detalhes, o tempo que demoro a criar uma mancha de uma cor não é o mesmo que demoram manchas de múltiplas camadas de cores, e assim sucessivamente para cada técnica que posso escolher aplicar.

Cada projeto é criado de raiz, e não lhes defino limites na hora de criar, mas eles existem e são diferentes para cada encomenda. Estes constrangimentos não vão condicionar a beleza do trabalho final, não temam, mas vão limitar as escolhas que vamos fazer juntos para que o resultado final seja perfeito e à vossa imagem. E, aqui, incluo também: à medida do vosso orçamento.

 

 

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Perspetiva VS Realidade

Os noivos pedem um orçamento e esperam receber uma proposta que está alinhada com o que idealizaram e que, de preferência, não oscile ao adicionarem elementos e mais níveis de complexidade ao modelo de estacionário que solicitaram.

Este cenário é comum e isso é muito natural – os noivos não estão na posse da informação específica e do conhecimento factual que os esclareça sobre o trabalho criativo e as suas matérias-primas. Mas, mesmo sendo comum, isso não faz dele válido, é apenas perspetiva (ou expetativa), não é a realidade.

A minha experiência diz-me que mais de 90% dos noivos não indica o valor que estipulou para o seu convite ideal. Como já mencionei anteriormente, quando falámos sobre o processo criativo, ter um valor em mente em nada altera o valor que vos irão apresentar. Posso garantir que os 10% que balizaram o valor que tinham estipulado para o seu convite, receberam diferentes propostas, inclusive de valor inferior.
Quando determinam um valor máximo para o serviço que pretendem adquirir, evitam ver possibilidades que poderiam adorar e estão fora do vosso alcance.
Estão a ver aqueles programas dos vestidos de noiva, em que a regra máxima é sempre não ultrapassar o orçamento para não acabarmos de coração partido a olhar para um vestido de noiva que não podemos comprar (ou que será uma péssima ideia com consequências fazê-lo)…?

Ao focarem-se no valor que têm disponível e na melhor oferta que o vosso fornecedor vos pode fazer, propondo soluções diferentes, em que uns detalhes mais elaborados elevam os mais simples, estarão a ser fiéis a vocês próprios, a gerir o orçamento de forma saudável e sábia e, quem sabe, ainda haverá espaço para algumas ideias surpreendentes.
A necessidade aguça o engenho e a capacidade criativa de um bom fornecedor é uma espécie de varinha mágica!

 

 

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Desvalorização da matéria-prima

A casa não se começa pelo telhado e para mim, a primeiríssima escolha recai no papel, a base que vou trabalhar para o vosso estacionário. O que interessa fazer um bom desenho sobre um papel de rascunho ou num guardanapo, a não ser que seja um imortal artista (e mesmo assim…), ninguém o vai validar e expor como uma obra de arte.

O que quero dizer com isto é que existe um papel para cada ocasião, para cada ideia, para cada técnica e para cada resultado. Se não valorizarem o papel, esta matéria-prima de base, táctil e tão qualitativa e transformadora, que sentido faz escolherem uma técnica rica e artística, quando o resultado final fica aquém do esplendor natural?

E a soma de tudo isto, que é qualidade pura, singularidade de ideias e um convite de autor que é a extensão da vossa história de amor, tornada matéria, objeto, corpo, tem um preço: é valioso!

 

 

 

O valor de uns convites de autor, um texto escrito com a imprescindível ajuda habitual de Susana Esteves Pinto, com as maravilhosas fotografias de André Teixeira com styling de Sofia Ferreira, os Branco Prata.

 

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