A Pajarita & Friends é uma rubrica que une talentos, “la crème de la crème” do mercado português, no que toca à criatividade, experiência e assinatura de qualidade.
Nesta rubrica, irei apresentar-vos ao longo do ano nomes de referência – os profissionais que podem escolher para vos acompanhar no vosso dia, com tranquilidade, profissionalismo e segurança. Com as minhas questões, procuro as respostas que vos faltam, trazendo a clareza, transparência e conhecimento de quem sabe bem o que faz e faz bem o que sabe.
Olá, sou a Alexandra, sejam muito bem-vindos!
O meu convidado de hoje é o Pedro Filipe, o fotógrafo que vos vai proporcionar uma experiência discreta, empática e acolhedora, oferecendo um registo elegante, emocional e cativante.
Sobre a luz natural, observa e capta o sentimento, as gargalhadas, as reações, os pequenos e os grandes detalhes, com a verdade em cada olhar e gesto, com as emoções puras. E também com elegância, leveza e alma.

Olá Pedro Filipe!
Muito obrigada por teres aceitado o meu convite.
Eu é que agradeço o convite! É muito gratificante participar nesta iniciativa tão enriquecedora e poder contribuir com a minha visão.
A fotografia tem lugar cativo no mercado e narrativa do casamento, sendo um dos serviços mais valorizados pelos noivos, como se desenrola o teu processo criativo e como o alimentas para se destacar no mercado?
O meu processo criativo é o resultado da minha constante inquietação. Acredito que há sempre mais para fazer, mais para ver, mais para explorar… há perspetivas que ainda não foram exploradas de um outro ângulo, há novos sítios para conhecer, há sítios onde queremos voltar para ver com uma luz diferente. Cada vivência, por mais simples que seja, acrescenta camadas à minha experiência e constrói o meu processo criativo.
Claro que gosto de conhecer bem os noivos, perceber a sua história, a dinâmica entre eles e o que valorizam nos momentos que vão viver. A partir daí, crio uma narrativa visual que seja autêntica e emocional, mas também estética e harmoniosa.
Durante o evento, procuro capturar momentos espontâneos, olhares e pequenos gestos que contam a história do casal de forma única. Alimentar este processo criativo também passa por estudar constantemente tendências de fotografia, técnicas de iluminação e composição, mas, essencialmente, explorar referências de outras áreas artísticas, como teatro, cinema e pintura, viajar e conhecer novas culturas.
Acredito que a diferenciação no mercado vem da capacidade de contar histórias de forma genuína, com sensibilidade e consistência, oferecendo aos noivos imagens que não sejam apenas bonitas, mas que apelem à emoção sempre que forem vistas.
Muitos casais mencionam que nem sempre sabem quais são as informações imprescindíveis quando querem pedir um orçamento. O que é necessário contar-te num primeiro contacto?
No primeiro contacto é fundamental saber a data e local do casamento. Também gosto sempre de perguntar uma estimativa do número de convidados e quais as expectativas em relação à fotografia. Com esta informação já conseguimos ter uma ideia mais ou menos clara do estilo que o casamento terá e da logística associada.

Durante o processo de contratação, existe alguma red flag que te faça colocar de lado a possibilidade de aceitar um cliente/casal?
Não, felizmente nunca aconteceu, tenho muita sorte com todos os casais com os quais tenho trabalhado. Acredito que quando vêm falar comigo, os casais já fizeram a sua pesquisa e sentem que querem que o casamento seja registado por mim, de uma forma semelhante ao que têm visto no site, no Instagram e em blogs. E esse é o melhor vínculo que terei com cada casal, sentir que confiam em mim e no meu trabalho e que poderei desenvolver o meu lado criativo. Claro que há sempre pequenas coisas a acertar, mas com preparação adequada do dia e com a experiência vamos aprendendo a lidar com qualquer dificuldade e a ultrapassar as questões. Caso sentisse em algum momento que o estilo do que os noivos pretendiam era completamente diferente do meu registo, dir-lhes-ia, mas até ao momento não aconteceu.
Trabalhar em casamentos é trabalhar com a felicidade e a alegria, mas também com expectativas e ansiedades.
Qual é a decisão ou a opção com mais repercussões negativas que um casal pode tomar?
Na minha opinião, a falta de confiança na equipa de profissionais contratada é um dos maiores desafios. Quando os casais tentam controlar tudo ao mais pequeno detalhe, acabam por se desgastar e não conseguem desfrutar do dia. Depois de escolherem criteriosamente os seus fornecedores, é importante confiar no seu trabalho e deixar que as coisas fluam. O dia do casamento é feito de imprevistos e de emoções, e acredito mesmo que é isso que o torna único. Quanto mais os noivos relaxarem e viverem o momento, mais autêntico e especial será o resultado — nas fotografias, no vídeo e na memória de todos.

A ausência de fotografias do estacionário em muitos casamentos é uma realidade, ou porque não faz parte do registo do profissional ou “por falta de material”.
Focando-nos no casal, o que devem disponibilizar ou quais as condições que devem ser criadas para que essas fotografias aconteçam?
Esta é, para mim, uma questão muito importante, valorizo muito as fotografias do estacionário. O convite, por exemplo, é o ponto de partida do casamento — é através dele que os convidados têm o primeiro contacto com o que será vivido no grande dia. O estilo, as cores e a identidade visual de todo o estacionário que foi criado para o dia reflete-se em toda a decoração, na disposição do espaço e na comunicação com os convidados. Por isso, acredito que este elemento deve ficar registado em fotografia. É uma parte essencial da narrativa do dia e ter estes elementos presentes para poder fotografar, permite-me contar a história completa do casamento.
Assim, peço sempre aos noivos que tenham um exemplar de cada um dos materiais que foram criados para poder fotografar, bem como os seus detalhes mais pessoais – como jóias, sapatos, alianças – e começamos sempre o dia a registar estes pormenores tão importantes.
O mercado está em constante mutação, tendo em conta que estás no mercado à 12 anos, quais são as maiores diferenças a que tens assistido?
Uma das grandes diferenças que tenho sentido ao longo destes anos é que não existe mais um modelo único de casamento — cada casal quer que o seu dia reflita a sua identidade, os seus gostos e a sua história. E isso estende-se naturalmente à fotografia, cada história pede um olhar diferente, mais autêntico e pessoal.
E claro, as redes sociais mudaram tudo nesta última década. São a nossa montra, o nosso portefólio, e também a forma como os casais nos encontram. Trouxeram muita visibilidade, mas também mais exigência. No fundo, o mercado tornou-se mais rápido, mais pessoal e mais exposto — e isso obriga-nos a estar sempre atentos e a evoluir.

A terminar, peço-te um bom conselho para os noivos que procuram o caminho mais tranquilo até ao seu grande dia…
O melhor conselho que posso dar é que façam uma seleção consciente e informada dos fornecedores com os quais se identificam, alinhem expectativas, tanto entre casal como com os fornecedores contratados, e depois tentem relaxar e aproveitar o dia ao máximo. Pode parecer clichê, mas o dia passa realmente a correr e merece ser vivido com atenção plena no que realmente importa.
Despeço-me, agradecendo o precioso tempo disponibilizado para a nossa breve conversa, as palavras dirigidas aos noivos e por partilhares connosco o teu incrível trabalho.
Muito obrigado, Alexandra. Foi um gosto conversar contigo! Que esta tua rubrica possa ajudar e inspirar os noivos a viverem o dia do casamento de uma forma mais informada, leve e feliz.
Até para ao próximo artigo!
PEDRO FILIPE FOTOGRAFIA, uma entrevista redigida por Alexandra Barbosa para a rúbrica A Pajarita & Friends.